domingo, 15 de março de 2009

Refém

O texto se espalha pelo papel.
De uma forma que beira o mágico as letras se unem, as palavras se articulam, os parágrafos se sucedem e o ponto final deixa atrás de si um poema, um conto, um romance, ou apenas idéias que se vão articulando e convidando a reflexão - como essas que aqui coloco.
E após a escritura cabe a quem lê interpretar como melhor lhe aprouver, segundo as suas expectativas, suas histórias, sua capacidade de entrar pelas entrelinhas que sempre são portas abertas para que se entre e saia por elas sem convite, avenidas que levam muitas vezes para muito além do que sonhou o pobre escriba que se dobra sobre o papel para expurgar seus fantasmas.
O texto é terreno movediço, pois quem o define é o contexto levando-o segundo as intenções reveladas ou veladas do leitor.
É verdade que o texto se completa na hora da leitura, mas ele se torna nesse encontro não mais aquilo que o escritor sonhou, mas o que o leitor faz dele.
Essa realidade muitas vezes desespera o pobre escritor, mas não há nada que possa fazer, pois se há uma compulsão a escrever, também há o desejo de ser lido, só lhe resta então conformar-se, sorrir e continuar escrevendo.

Um comentário:

  1. O que o texto diz nem sempre é o que o texto dentro dele está a dizer. Realmente lemos aquilo que nossa alma anseia, aquilo que desejamos. Se não fossem as palavras, o que seriam das linhas em que expomos nossas emoções?
    As entrelinhas...essas estão aí para nos iludir ou nos orientar, basta lê-las.

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Tenha cuidado, as palavras não ditas pertencem a você, as proferidas testemunharão quem você é.