quinta-feira, 12 de março de 2009

Amar dói?


Na Idade média nasceu o mito do amor romântico.
O príncipe salva a princesa de um grande perigo, apaixonam-se, casam-se e são felizes para sempre.
Nele não se discute a relação, não há TPM, nem abandono aos domingos pra jogar bola com os amigos. não existem sogras ou cunhados, tão somente duas almas que se completam, que jamais se separarão.
Enquanto isso na vida real...
Todos sabemos que a história é diferente.
Qualquer relação afetiva tem feridas que deixam cicatrizes pequenas, ou grandes. Marcas que desaparecerão com o tempo, ou ficarão ali pelo resto da vida como a dizer como aquele momento foi doido, sofrido, desesperador.
Lembranças ruins teimarão em aparecer nos momentos mais inconvenientes e o medo da decepção irá ficar rondando a felicidade que se tenta construir a cada dia.
Tudo isso provoca dor, desespero, desencanto, vontade de largar tudo, de não continuar tentando.
Nesses momentos de des/encanto, a única forma de ir adiante é saber e nunca esquecer que o amor romântico não existe. Que príncipes e princesas só moram nos contos de fadas, que nos apaixonamos e amamos pessoas de carne e osso com histórias anteriores a nós, com desejos diferentes dos nossos, com expectativas totalmente opostas aquelas que muitas vezes cultivamos toda a nossa vida.
É um estranho/estranha que invade nossos pensamentos, sentimentos, que toma conta de todas as emoções, rouba um pedaço de nossas vidas e nele se instala, mesmo que não queiramos, e dali não sai mais.
Isso dá medo, raiva, paz, segurança, desejo de ficar, de fugir, de sumir, desejos conflitantes que vão roubando a sensação de segurança que tínhamos antes de nos entregarmos, nos rendermos a esse invasão temida e tão desejada.
Por tudo isso e muitas outras razões amar dói e dói muito.
Saudade, ciúme, medo de perder, medo de ser perdido, de envelhecer, ficar feio, fria, impotente. Muitos medos explícitos, ou velados. Muitos fantasmas que assombram e banem as fadas para terra do nunca, da pureza e da ingenuidade perdidas diante da realidade que diz que o príncipe morreu, que a princesa nunca existiu e em seus lugares chegaram a nossa vida pessoas que podem, e fazem-nos sofrer, chorar, mas que também conseguem despertar, por segundos que sejam, o que há de melhor em nós.
Oásis no deserto do cotidiano, da rotina que fazem valer a pena todo o caminho feito, pois nos revigoram de tal forma que temos força para outro tanto da jornada.
As cicatrizes e as marcas sempre estarão lá, mas os afagos, os toques, os silêncios acolhedores, os beijos carinhosos, ou cheios de paixão farão que elas sejam apenas fundo, coadjuvantes, vírgulas nesse texto que a quatro mãos vamos escrevendo e que tanto os poetas como os brutos chamam de amor.

Um comentário:

  1. Parece-me que as vendas estão caindo e que um novo olhar está sendo lançado ao horizonte. Acho que finalmente a lagarta está se permitindo a metamorfose e consequentemente os novos voos. História real, ator e coadjuvante. Vida...vida...vida...

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