quarta-feira, 18 de março de 2009

Das impossibilidades


Muito além de ser um livro religioso a Bíblia é uma obra que propicia a quem a lê uma compreensão profunda sobre a alma humana no que se refere a busca da felicidade, pois essa é a essência de toda a trajetória descrita do Gênesis ao Apocalipse: como alcançar a terra prometida, como recuperar o paraíso perdido, enfim como ser feliz.
Em suas carta aos Romanos, capítulo 7, versículo 19 afirma em um desabafo aos seus confrades que:

"... não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço."

E isso o angústia, o desespera, o leva a estar em constante luta contra si mesmo, para conseguir superar suas limitações.
Esse versículo fala de superação de limitações que só é possível a partir do reconhecimento da sua existência em nossa vida, reconhecer-se fraco, partido, impotente, para a partir dai realizar uma transformação em nossa história.
No âmbito religioso essa transformação será feita pela ação divina que intercederá e nos fará dar o salto de qualidade que tanto almejamos para atingir o objetivo da felicidade, fora dessa realidade transcendental resta ao indivíduo ir pouco a pouco reconstruindo-se, redirecionando suas forças, seu foco e assim paulatinamente mudando.
Seu grande e único aliado nessa metamorfose é o tempo que com sua lenta e constante passagem vai mudando as paisagens ao seu redor até fazer com que outro cenário se descortine ao olhar surpreendido de quem por ali passar.
Diante dessa realidade fica na boca um traço amargo, um desejo de acelerar as coisas, de que agora se realize algo que só amanhã poderá acontecer, não porque não queiramos fazer, mas sim por não ser possível realizar nesse momento, por estar além das nossas forças.
Para quem está de fora da questão parece apenas a manifestação de um traço masoquista do indivíduo, um desejo de permanecer em um beco sem saída, em uma sala fechada, diante de uma janela que dá para o paredão de concreto que fala da não praça, do não céu azul, da não lua cheia, do não amanhecer, do não..., da não vida, mas se trata apenas de uma etapa da caminhada de descoberta da felicidade.
Entendamos que não fazemos o que queremos, mas apenas o que podemos e se percebemos isso em nós identifiquemos essa mesma característica no outro, tenhamos a sensibilidade de reconhecer os seus limites, as suas impossibilidades e permitamos que ele as viva, que ele tateie na sua escuridão, quando seria tão fácil nos pedir um fósforo, que caia quando bastaria escorar-se em nós, que viva a solidão quando bastaria um telefonema para estarmos ao seu lado.
Saiba que ele tem consciência de que essas possibilidades existem, mas ele vive o seu limite, a sua impossibilidade.
Momentânea? Só o tempo dirá.
Definitiva? Ninguém sabe.
A nós que nos dispomos a auxiliar só resta aguardar que o tempo passe e a faça estar não da forma que desejaríamos, mas daquela que está dentro da sua possibilidade a fará feliz

2 comentários:

  1. Nem sempre é facil entender, compreender, aceitar os anseios e angústias do outro. Isso é se metamorfosear. Metamorfose também é processo...

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  2. O TEMPO DA VIDA É O AMOR...
    O AMOR TAMBÉM NOS REQUER UM PROCESSO...

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Tenha cuidado, as palavras não ditas pertencem a você, as proferidas testemunharão quem você é.