segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cometa ou estrela, o que ser?

Planetas, estrelas, satélites, cometas são corpos celestes que povoam a nosa imaginçaõ e nos fazem olhar para o céu em uma noite limpa e muitas vezes suspirarmos de amor, saudade, solidão, esperança ou qualquer um dos milhares de sentimentos que a alma humana é capaz de gerar em seus labirintos profundos.
Mas olhando ao nosso redor podemos perceber que é possível dividirmos as pessoas segundo as características desses corpos celestes, falaríamos então de pessoas planetas, pessoas estrelas e assim sucessivamente.
A primeira vista nos desperta o desejo de sermos caracterizados como estrelas, pois teríamos luz própria e ao nosso redor gravitariam uma série de outros seres que seriam mantidos vivos por nossa influência e morreriam quando dá nossa morte. Existem muitas pessoas estrelas por ai, mas poucas pessoas cometas.
Os cometas são corpos celestes que tem a função de vagarem pelo universo espalhando vida. Isso mesmo eles trazem aos planetas o que poderíamos chamar de pó de estrelas e os fecundam de maneira discreta, apenas semeando o que poderá vir a ser vida para depois seguirem seu caminho errante pelo infinito.
Pessoas satélites vivem presas a órbitas das pessoas planetas, são como bons filhos judeus ou italianos que mantém intacto o cordão umbilical que os une as suas amadas mães. Existem como apêndices delas, não carregam vida em si, apenas influenciam mares e embelezam noites escuras com a luz que refletem da estrela mais próxima.
As pessoas planetas geram vida, receberam as sementes que foram lançadas, e permitiram que fecundassem o seu ser, mas pedem em troca, como toda boa mãe o respeito as suas regras, as suas leis, ou o equilíbrio é perdido e a catástrofe se abate sobre quem ousou desafiar seja a mãe natureza, ou a mãe Sara.
Já as pessoas cometas entendem que não tem de si nada além do que a capacidade de lançar sementes, sem se preocupar em qual solo cairão, se fecundarão ou não, apenas abrem sua alma, seu coração e permitem que o que há de divino ali depositado, seja a sabedoria, o amor, a paz ou outro sentimento nobre qualquer flua sobre quem atravessa seu caminho.
Semeiam e passam.
Levando como paga, muitas vezes, a dor e a tristeza de quem foi beneficiado por elas.
Carregam sobre seus ombros o peso da solidão, para que outros vivam com quem amam, da doença para que outros corram nas orlas, do silêncio para que outros cantem, da penumbra para que outros tenham luz.
Calam-se e caminham, choram e se consolam com a certeza que é esse seu destino, purgar a dor do outro. São elas que mantém o universo em equilíbrio, pois a cada gesto de doação de seu melhor revivem o momento mágico da criação do universo.
Raras são as pessoas cometas, se você é uma delas entende do que estou falando, se não é não só saberá de sua existência, quando de algum lugar do seu íntimo em um momento de grande crise brotar uma força através de uma frase, uma imagem, um relance de olhar que foi-te presenteado por alguém que você não sabe precisar quem é, mas que fecundou sua alma com as sementes da árvore da felicidade.
(Dedicado a uma aluna/amiga/aprendiz que assume sua essência cometa e vai semeando vida na solidão do universo alheio)

Um comentário:

  1. Adolfo,
    Lindo o Texto.
    Obrigada pela dedicatória, Você é um cometa muito querido.
    Vamos brindar a solidão do nosso amor!
    Infinitos Beijos,
    Helena

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Tenha cuidado, as palavras não ditas pertencem a você, as proferidas testemunharão quem você é.