quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Navegar é preciso?

Este espaço é para compartilhar pensamentos, sentimentos, questionamentos, dúvidas e por isso não precisa conter idéias inéditas, na verdade não pode contê-las, pois na alma humana, desde o momento da criação, nada de novo acontece, a jornada é sempre a mesma em busca da felicidade.

"Navigare necesse, vivere non este necesse", disse Pompeu aos marinheiros amedrontados que se recusavam a viajar durante a guerra.

"Navegar é preciso; viver não é preciso" traduziu Fernando Pessoa a um Portugal distante de sua grandeza perdida.

E diante dos desafios – sejam guerras, ou a decadência – com os quais a vida nos presenteia como convite a nos afastarmos dos portos que construídos pelo medo do novo, do desafio, do desconhecido tentam nos manter ficticiamente felizes, só nos resta repetir o mesmo convite a enfrentar o horizonte nos lançamdo ao novo, pois está é a razão da nossa existência, para isso fomos feitos: ir além, navegar pelos mares da alegria, da tristeza, do encontro, do abandono, da esperança, da desilusão, do sorriso, da lágrima, mas sempre navegar, ir adiante entendo que estamos geneticamente condenados a vencer o medo que paralisa, a dúvida que engessa, o amor que ancora e não dá asas, enfim tudo que vai contra a nossa essência divina.

Se tivermos a coragem de aceitar o convite e nos lançarmos aos mares da vida já temos a certeza que voltaremos com cicatrizes, nossos barcos perderão pedaços, as tempestades irão nos enjoar, a alimentação em muitos momentos será intragável, mas acima de tudo voltaremos renovados pela certeza de termos cumprido a nossa destinação de navegadores.

É certo que muitos sonhos irão perecer (o casamento até que a morte os separe, a carreira estável, a posição social, a casa da infância, a pequena cidade do interior onde nossos avôs foram criados), mas a realidade vivida será infinitamente mais gratificante, já que é nas limitações que vencemos – seja a que preço for – que reescrevemos a nossa história, que reinventamos nossa vida, que somos felizes.

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