
Todo ser humano durante alguns momentos de seu dia assume a posição de sedutor.
É obrigado a isso por estar a espécie humana condenada a viver um paradoxo dantesco que é o de ter a necessidade do encontro com o outro para se completar e a enorme dificuldade de se fazer compreender pelo outro.
Quantos sentimentos, emoções perdem sua força, cor e intensidade quando se transformam em palavras que por terem sido usadas milhares de vezes anteriormente já não têm a sua intensidade, suas cores.
São como lençóis desbotados colocados a secar em um varal do subúrbio, quase trapos, mas ainda no uso por falta de uma opção melhor.
Se as palavras são insuficientes é-se obrigado a recorrer a outros artifícios e esses são as ferramentas da sedução para se fazer diferente, se fazer notar, sorrisos, olhares, gestos, mas principalmente – e essa é a diferença dos verdadeiros sedutores para os amadores – os silêncios.
Silêncios que vão se interpondo entre as palavras, as frases e deixa suspenso no ar aquele minuto que se torna eterno e dá chance para que a fantasia nasça trazendo consigo o desejo de experimentar o novo.
Seduzir é abrir-se ao novo, ao inusitado, a felicidade, ou a decepção é bem verdade, mas sem dúvida seduzir e deixar-se seduzir é estar vivo.
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Tenha cuidado, as palavras não ditas pertencem a você, as proferidas testemunharão quem você é.