segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Silêncio e sedução


Todo ser humano durante alguns momentos de seu dia assume a posição de sedutor.

É obrigado a isso por estar a espécie humana condenada a viver um paradoxo dantesco que é o de ter a necessidade do encontro com o outro para se completar e a enorme dificuldade de se fazer compreender pelo outro.

Quantos sentimentos, emoções perdem sua força, cor e intensidade quando se transformam em palavras que por terem sido usadas milhares de vezes anteriormente já não têm a sua intensidade, suas cores.

São como lençóis desbotados colocados a secar em um varal do subúrbio, quase trapos, mas ainda no uso por falta de uma opção melhor.

Se as palavras são insuficientes é-se obrigado a recorrer a outros artifícios e esses são as ferramentas da sedução para se fazer diferente, se fazer notar, sorrisos, olhares, gestos, mas principalmente – e essa é a diferença dos verdadeiros sedutores para os amadores – os silêncios.

Silêncios que vão se interpondo entre as palavras, as frases e deixa suspenso no ar aquele minuto que se torna eterno e dá chance para que a fantasia nasça trazendo consigo o desejo de experimentar o novo.

Seduzir é abrir-se ao novo, ao inusitado, a felicidade, ou a decepção é bem verdade, mas sem dúvida seduzir e deixar-se seduzir é estar vivo.

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Tenha cuidado, as palavras não ditas pertencem a você, as proferidas testemunharão quem você é.